Banalização de preconceitos no meio digital


DEFINIÇÃO

Com a expansão do mundo digital e suas infinitas possibilidades, as redes sociais se consolidaram como um espaço de liberdade individual para expor opiniões e vivencias para quem quiser ler. Com essa “democratização da fala”, muitos movimentos sociais foram fortalecidos e suas vozes ouvidas, como por exemplo os movimentos lgbtqiapn+, anti-racistas, feministas, dentre outras causas sociais. Porém, essa liberdade também, infelizmente, abre margem para outro fenômeno: a relativização de preconceitos.

O COMEÇO DO PRECONCEITO

Muitas vezes, comentários cheios de ódio passam despercebidos aos olhos desatentos de quem rola o feed ou a time line no dia a dia camuflados de “opinião” ou, um termo mais popular hoje em dia, “liberdade de expressão”. O que os autores desses tipos de falas não percebem, é que não se trata apenas de falar algo ou não, e sim de atacar grupos minoritários e grupos sociais dentro do espaço que, teoricamente deveria ser democrático e livre de preconceitos.

MAS POR QUAL MOTIVO ISSO ACONTECE?

O motivo principal disso acontecer é a sensação recorrente de impunidade e uma certa invisibilidade que a internet possui, uma vez que podemos nos esconder atrás de um pseudônimo com uma foto de perfil de algum desenho ou celebridade. Fora o fato de não existir punições efetivas para quem for denunciado, como algumas horas ou dias sem utilizar a rede e voltar normalmente depois e , em raros casos, perder o acesso a conta. Mas de qualquer forma, basta esperar o prazo estipulado pela rede que tudo tudo volta a normalidade, inclusive os comentários que, em sua maioria, voltam até mais agressivos.

E POR QUE ISSO É UM GRANDE PROBLEMA?

Os comentários com esse tipo de intuito são uma forma muito sutil de espalhar desinformação sobre determinados grupos e causas sociais, e atacá-los, sem parecer que é de fato um ataque, e quando são contestados, alegam ser apenas a própria opinião que foi mal interpretada. Isso gera uma onda de indivíduos completamente alienados e frustrados, que não sabem reconhecer quando erram ou quando uma “opinião” na verdade é um crime gravíssimo, surgindo um sentimento deturpado de perseguição online. Com isso, as pessoas que compartilham essa mesma opinião de que estão sendo virtualmente perseguidos pela dita “lacração” do sistema, se aglutinam e formam grupos de ataque, quase impossíveis de serem desfeitos, como por exemplo os indivíduos que se consideram Red Pills.

COLOCANDO EM PERSPECTIVA

De um lado, está posto que a internet empodera os cidadãos dando-lhes voz, liberdade, lugar de fala, possibilidades diversas de se conseguir conhecimento e a conexão instantânea com qualquer um do globo ,mas do outro tem o grande problema dos intolerantes que disseminam ódio e tentam destruir a existência de outros usuários. No entanto, no panorama contemporâneo, as coisas tendem a mudar para o lado mais racional, com algoritmos mais rigorosos com o que pode ou não ser dito e o que é ou não aceitável a ser dito para outras pessoas. O que pode ser feito é tomar consciência de como usamos as redes sociais pois, ao mesmo tempo que a palavra edifica e serve como resistência, ela também corrói e destrói o outro, tudo depende como usá-la.

fonte da foto: Jornal da USP

Write a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *