Futuro do rap brasileiro inserido na massa digital

Foto: Reprodução/Batalha da Leste

Pra quem acompanha, sabe o difícil momento que o hip-hop brasileiro se encontra novos artistas cedendo ao dinheiro, à fama, às visualizações, aos likes. Em meio ao caos capitalista, são encontrados oásis que podem ser a sobrevida do rap, ou seja, artistas que usam de referências do passado sem tentar copiá-las mas usando como oportunidades de crescimento para criar seu próprio estilo, se recusando de cair no canto da sereia.

Com a globalização, o acesso à internet e à tecnologia está cada vez mais difundido, sendo pela Organização das Nações Unidas (ONU) considerado direitos humanos. Todavia, tal facilidade apresenta pontos negativos, visto que os usuários estão a todo o tempo presos à uma vitrine de benefícios e vidas alheias construindo anseios a serem alcançados. A complicação se torna maior quando ocorrida em “mentes que nunca viram nada acontecer” (Emicida, em “Intro (É Preciso Voltar Ao Começo)”), já que o impacto duplica ou triplica o dano.

Nesse sentido, entra o ponto de crise musical do rap brasileiro, um cenário onde cada vez mais novos artistas se perdem à luxúria e à ganância, rendendo-se ao dinheiro e à fama imediata.

O rap, entretanto, nunca foi sobre isso, sempre foi sobre dar voz aos silenciados, aos incapazes, aos marginalizados. O desenvolvimento do hip-hop no Brasil teve como combustível as injustiças, utilizando de rimas e batidas para declamar poemas de alma e de dor.

Portanto, nunca foi tão necessário atender ao rap como agora, a cena hoje respira por aparelhos tais quais se exemplificam pelos nomes: Jotapê, Ebony, LEALL, Duquesa, AJULIACOSTA, 2ZDinizz e entre outros.

Também, como disse Emicida, não se pode largar a mão de quem sangrou, suou e sofreu para construir tal palco como Racionais MC’s, Facção Central, Emicida, Rashid, Kamau e Trilha Sonora do Gueto, por exemplo.

Foto: Emicida e Jotapê no clipe de “Leandro Roque”

Logo, salvem o rap, mas também lutem para nutri-lo. A cena é uma árvore que cresce e salva quem nasce ao relento.

“Ofertei minha vida inteira às rimas de primeira
Nada mal pra quem nasceu numa segunda no terceiro mundo
Um quarto nos fundos, a vista pros quintos
Sexto sentido pra escapar de demônios famintos
E ao sétimo dia ir pro Santa Cruz com os outros dois reis magos
Eternamente, obrigado, Leandro e Tiago”

– Rashid em “OURO, MIRRA E INCENSO”