Por Eduardo Medina, Julia Quintiliano e Maria Eduarda Cremer
No longa-metragem O Agente Secreto, lançado em novembro de 2025, Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um homem que chega ao Recife em 1977, em meio aos anos mais duros da Ditadura Militar Brasileira, tentando recomeçar. Especialista em tecnologia, ele foge de um passado misterioso e chega à cidade durante a semana do Carnaval na esperança de reencontrar o filho, mas logo percebe que o Recife que imaginava como ponto de escape está longe de ser o refúgio que imaginava.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto mistura suspense, memórias e história para construir uma narrativa do Brasil dos anos 1970. Recife ocupa um lugar central nessa obra através das ruas, sons e manifestações culturais que constroem a identidade do filme. Mais do que contar a história de um homem tentando desaparecer, o filme reflete como um período de repressão política e tensão constante pode continuar presente na vida cotidiana, mesmo escondido atrás da normalidade.

O Recife apresentado pelo diretor é uma cidade de contrastes. “A gente não estava se propondo a fazer um filme de época dentro de estúdio […] a gente queria abrir e mostrar a cidade como ela respirava, como ela vivia”, disse Mariana Jacob, diretora de produção. “Tentamos entregar o máximo possível com retirada de postes, bicicletas urbanas, mudanças de fachadas… um trabalho bem minucioso”, contou. A reconstrução do passado, portanto, passou tanto pela transformação da paisagem quanto pela preservação da memória presente nos espaços reais da cidade. Essa relação entre proteção e memória também aparece nas escolhas das locações. A produção utiliza espaços reais do Recife para reconstruir a cidade nos anos 1970, tornando os lugares parte do drama.
Veja aqui os principais locais utilizados em cena.
Carreira cinematográfica do Wagner Moura
A escolha de Wagner Moura para interpretar Marcelo em O Agente Secreto não foi por acaso. Kleber Mendonça escreveu o papel pensando especificamente no ator e destacou seu carisma extremamente cinematográfico. A experiência de Wagner com personagens marcantes contribuiu para a construção de Marcelo. A escolha contradiz com um dos principais personagens do ator, o Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, já que Marcelo é um personagem mais distante da figura de autoridade e violência.
A trajetória de Wagner Moura ajuda a entender a dimensão dessa escolha. Nascido em Salvador, na Bahia, em 27 de junho de 1976, o ator é formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e iniciou sua carreira artística no teatro. Através dos palcos, passou a atuar na televisão e no cinema, construindo uma carreira marcada pela diversidade de seus personagens. Entre seus trabalhos de maior destaque estão Carandiru, Tropa de Elite 1 e 2, e a série Narcus, na qual interpreta Pablo Escobar, conquistando destaque no cenário nacional e internacional.

Além de ator, Wagner também é diretor e produtor. Em 2021, dirigiu Marighella, ampliando sua participação no cinema brasileiro além da atuação. Sua carreira internacional inclui produções como Elysium, Wasp Network – Prisioneiros da Guerra Fria e Guerra Civil. Ao longo de sua vasta carreira, recebeu diversos prêmios e indicações, consolidando-se como um dos principais nomes do audiovisual brasileiro. Em 2026, Wagner Moura se destacou por ser o primeiro ator brasileiro a concorrer na categoria principal de atuação masculina do Oscar, como melhor ator, através de O Agente Secreto.
Em O Agente Secreto, o ator saiu totalmente da bolha nacional. Em 2025, Wagner Moura recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, enquanto Kleber Mendonça Filho foi premiado como melhor diretor pelo mesmo filme. O filme conquistou diversos prêmios, entre eles, o Globo de Ouro de Melhor filme em língua não inglesa, além de quatro indicações ao Oscar 2026. Essas conquistas destacam não apenas o trabalho de Wagner e Kleber, mas também reforça a força do cinema nacional e mostram a capacidade de produções brasileiras de alcançar reconhecimento no cinema internacional ao abordar sua própria história, suas memórias e marcas deixadas no país.
