De acordo com a a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara
Brasileira do Livro (CBL) em 2025, o percentual de consumidores de livros passou de 16%
para 18% no Brasil, equivalendo a 3 milhões de novos leitores. Já a PublishNews, principal
portal de notícias literárias do mundo, publicou esse mês a lista de livros mais vendidos
internacionalmente de outubro, que segue a tendência dos meses anteriores.
Neste texto, nosso objetivo foi analisar essas duas pesquisas, entre outras, de maneira
conjunta, procurando compreender se a crença geral de que os brasileiros lêem cada vez
menos é verdadeira, e observar as tendências dos leitores brasileiros.
Ainda segundo a pesquisa, livros (impressos e digitais) foram a quinta categoria que mais cresceu em 2025 com relação a 2024, com um percentual de 18%, e perdendo apenas, nessa sequência, para Roupas (55%), Celular (27%), Ingresso para cinema e Brinquedos (ambos com 21%). É interessante observar que todas as categorias citadas são ou de necessidade básica (roupas e celular) ou de cultura, de certa forma. Se entendemos brinquedos como necessidade básica para crianças, afinal o lazer é um direito, é como se o brasileiro entendesse a literatura como uma parte tão importante da vida quanto se manter atualizado dos acontecimentos na sociedade, como fazemos hoje com smartphones.
A pesquisa, realizada através de 16 mil entrevistas, revela que a leitura é o terceiro hábito
de lazer preferido entre a população, perdendo apenas para canais de streaming e rede
sociais.
Observa-se que 61% dos consumidores são mulheres, enquanto mulheres pretas e pardas
representam 50% desse total. A faixa etária que mais comprou livros foi a entre 35 e 44
anos, enquanto a que teve o maior crescimento entre 2024 e 2025 foi entre os jovens, que
aumentou 3,4 p.p (pontos percentuais) entre os 18 e 34 anos. Só o sudeste representa 42%
dos leitores, seguido pelo Nordeste com 28%.
Desde o avanço de redes sociais como Instagram e TikTok, é possível ver uma crescente nas
comunidades literárias, agora não mais dependentes de proximidade física para a
socialização. O que antes só acontecia em clubes de leitura agora se estende o suficiente
para ter nome próprio, o booktok. Termo que inicialmente ficou conhecido como a
comunidade literária especificamente no TikTok, o booktok agora se expandiu e é usado
para representar a mesma em redes sociais em geral.
A quantidade de adaptações literárias, segundo um levantamento feito pela Ampere
Analysis, aumentou 73% desde 2023, apenas em plataformas de streaming. Essas, ao
mesmo tempo que agradam o público literário, aumentam também o consumo dos próprios
livros através de seus filmes e séries, como observado no caso de A Hipótese do Amor,
longa que estreou na Prime Video em setembro, e Verity, adaptação cinematográfica que
estreou no mesmo mês, ambas obras que estão em todas as listas de livros mais vendidos
do mundo desse ano.
E os exemplos são diversos, desde Ainda Estou Aqui, baseado na obra biográfica de
Marcelo Rubens Paiva, até Razão e Sensibilidade, clássico de Jane Austen que recebe
ainda mais uma adaptação nas telas agora. Do Brasil ao mundo, a literatura continua sendo
valorizada, seja fisicamente, através de ebooks ou nas telonas.
O brasileiro está lendo mais, discordando da visão geral. Seja fantasia, biografia ou auto
ajuda, as obras literárias tem ganhado força, principalmente com o público jovem, apesar e
por causa das redes sociais. De gênero em gênero, os livros parecem continuar seduzindo
a mente humana, em uma linda surpresa, para alguns.
É fato que o aumento exponencial da procura por livros acarreta em uma resposta do
mercado, com materiais mais frágeis e obras às vezes mais desleixadas. É um sintoma do
sistema que vivemos se aproveitar das nossas necessidades para lucrar, mas a leitura vale
a pena.
Cada livro de fantasia lido faz um leitor mais empático, cada livro de romance faz uma
mulher mais rigorosa em suas relações amorosas, e cada clássico brasileiro faz um cidadão
mais orgulhoso de suas origens. Quando se trata de leitura, cada gibi conta.
(Por Yasmin Nascimento – 125002; Nino Cruz – 124989; Gustavo Neves – 122519; Thomaz Leal – 124997)