O Jornalismo e a Nova Geração de Profissionais

Como a profissão de jornalista vem sendo moldada com a chegada das novas mídias e dos influenciadores.

Por: Antonio Toledo

Créditos:  (iStock/iStock)

Recentemente, caí em um pensamento filosófico sobre o futuro da profissão que pretendo seguir pelo resto da minha vida. Algumas interrogações que vinham sobre minha cabeça eram voltadas a uma pergunta: O que será da minha profissão quando eu entrar no mercado?

Talvez seja um pensamento comum em qualquer jovem universitário que viva na era digital, ou só de alguém que está ansioso e um pouco medroso com o futuro. O mundo de hoje sempre terá demandas que causam uma necessidade de transformação em qualquer profissão de inúmeras área de conhecimento. Um matemático precisa reconhecer uma nova fórmula para cálculos, assim como um historiador precisa verificar novas fontes históricas. Não é diferente com o Jornalista.

Desde a chegada do Jornalismo no Brasil, em 1808, quando se criou a primeira imprensa no Rio de Janeiro, o trabalho de jornalista vem se moldado a partir da realidade que é apresentada para ele. Olhemos para a evolução dele durante as décadas:

  • 1808: Surgiu a partir de uma necessidade da época. Com a chegada da família Real Portuguesa no Rio de Janeiro, era preciso de uma maneira de passar as informação sobre e para a Coroa Portuguesa.
  • 1930: Chamo de Era do Rádio, na qual o jornalismo ganha um imediatismo. A informação deixa de ser dependente do tempo de impressão e distribuição local, passando a estar dentro da casas dos brasileiros em tempo real.
  • 1950: Chega a época da televisão, a imagem passa a validar a notícia. A linguagem visual exige uma nova forma de sintetizar fatos, unindo texto, voz, recursos visual e o jornalista!
  • 1990: Na década de 90, as primeiras vibrações da web começam a ser sentidas, a transição para os portais digitais rompe as barreiras de espaço físico dos impressos e os limites de tempo das programações da TV. Se antes as notícias eram rápidas, com os primeiros portais virtuais na Internet o fato começa a chegar de forma relâmpago na vida das pessoas que tinham acesso a web.
  • 2000: Surge o jornalismo participativo. Os Leitores agora poderiam interagir, comentar, produzir seus próprios relatos, descentralizando o monopólio da informação.

Cada inovação tecnológica exigiu que o jornalista se reinventasse, adaptando sua linguagem ao papel que precisa desempenhar no rádio, na TV ou no dinamismo dos algoritmos digitais. A essência de informar o público sobreviveu a todas as transições, porque o jornalismo não se resume ao suporte onde a notícia é publicada, porém ao compromisso ético com a apuração, checagem de fatos e a responsabilidade social com a sociedade para qual ele escreve. Cada era da profissão foi moldada para as demandas que a inovação exigia e, assim, cada geração foi ganhando uma personalidade e maneiras de trabalhar para as instituições, refinando as ferramentas e meios com as quais se trabalha.

Hoje, podemos dizer que vivemos uma transição entre gerações de jornalistas. Os futuros trabalhadores já nasceram imersos no sistema digital e dominam a linguagem da multiplataforma. Aliás, este é um mundo dominado (não no sentido ruim) pelo Instagram, TikTok e Youtube. Essas redes e plataformas mudaram o que chamados de criação de conteúdo, algo que demorava dias para sair em um noticiário de televisão podiam agora ser postado em um simples upload. A partir de 2010, a produção audiovisual mudou, e a geração cresceu assistindo a esses estilos de vídeos pelo computador, tablets e pelo CELULAR.

Créditos: AP2010

A informação ficou ainda mais acessível e diversa para todos os temas. Não é mais preciso esperar até domingo para assistir a uma matéria no Fantástico para ser informado, basta apenas uma pesquisa no TikTok sobre qualquer coisa que você precisa, que aparecerá um vídeo curto com uma pessoa te explicando o assunto.

A partir disso, nasce uma problemática: INFLUENCIADORES. Eles são um conflito constante dentro do ambiente digital, uma vez que, sem a necessidade de diploma para ser jornalista, os influencers têm usado das redes para se posicionar como jornalistas.

Esse problema vai ficando cada vez mais forte na medida em que a busca por cliques passa a valer mais do que o compromisso com a transmissão do fato de verdade, já que um criador de conteúdo muita das vezes trabalha sob a lógica do engajamento rápido, da estética bem produzida e da opinião sem verificação. O perigo real não está na democratização da voz que a rede social moderna trouxe, mas no desaparecimento das linhas entre entretenimento e informação.

Isso pode ser visto quando o público começa a consumir a opinião rasa (ou patrocinada) de um influenciador com a mesma confiança que deveria ser dada a uma reportagem de um jornalista graduado e preparado para passar informação, a partir disso, o fenômeno da pós-verdade ganha força e a função da própria imprensa é diluída.

Parece que estou falando do fim da profissão, onde qualquer um pode falar e “tomar o lugar” do jornalista graduado. Porém, eu não concordo com essa visão pessimista. A resposta para essa nova geração não está em competir pela atenção, mas oferecer o que os outros não podem: transparência, comunidade e profundidade. Querendo ou não, o diploma entrega mais força para nossas produções e, hoje, não precisamos mais de uma empresa para nos escalar. Utilizando das inovações, podemos produzir conteúdos autônomos com teor verdadeiramente jornalístico para tentar oferecer aquilo que o público não está acostumado.

A vitória dos novos jornalistas se inicia quando o profissional começa a cultivar uma comunidade fiel que confiará na sua voz para ser informado e ser livre das opiniões rasas que o algoritmo oferece, trazendo o público a confiar em um trabalho que não vende ilusões, mas em uma forma de linguagem profissional fora das mercadorias que entrega o fato com verdade.

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo